Oriente Médio: dólar sobe para R$ 5,25 com retorno das tensões
Bolsa cai 1,45% com incertezas sobre trégua
O mercado financeiro teve dia de nervosismo, em meio às incertezas sobre um possível cessar-fogo no Oriente Médio. O cenário foi marcado por declarações conflitantes entre Estados Unidos e Irã, o que levou investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros.

O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (26) vendido a R$ 5,256, com alta de R$ 0,036 (+0,69%). A cotação teve um dia volátil. Abriu em R$ 5,26, caiu para R$ 5,21 no fim da manhã e acelerou à tarde.
A moeda estadunidense acumula alta de 2,38% em março. Em 2026, no entanto, cai 4,24%.
O movimento foi impulsionado pela busca global por segurança, em meio à escalada das tensões. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrastaram com a posição do governo iraniano, aumentando a incerteza sobre um eventual acordo.
O mercado permanece volátil e reage rapidamente a cada nova sinalização diplomática. O Banco Central (BC) chegou a atuar no câmbio com leilões de linha. A autoridade monetária injetou US$ 1 bilhão no mercado, mas não conseguiu conter a pressão de alta.
Na terça-feira (24), o BC vendeu mais US$ 1 bilhão, também em leilão de linha. Nessa modalidade, o BC comercializa dólares das reservas internacionais com o compromisso de recomprar o dinheiro meses depois.
O dia também foi pessimista no mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, recuou 1,45%, aos 182.732 pontos, interrompendo uma sequência de três altas. O índice chegou a oscilar entre a máxima de 185 mil pontos e a mínima próxima de 182 mil ao longo do dia.
O desempenho acompanhou o movimento internacional, com quedas consideráveis nas bolsas de Nova York e maior cautela dos investidores. A falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã pesou sobre os ativos de risco.
No cenário doméstico, dados de inflação também ficaram no radar. A prévia da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de março subiu 0,44%. O indicador desacelerou em relação a março do ano passado, mas ficou acima das expectativas do mercado, reforçando preocupações com o cenário inflacionário.
Os preços do petróleo avançaram com força e refletem o temor de interrupções no fornecimento global de energia. O barril do tipo Brent, referência nas negociações internacionais, subiu cerca de 5,7% e alcançou os US$ 108,01.
O combustível acumula ganhos expressivos no mês e no ano, impulsionado pelas tensões na região do Golfo Pérsico. A ausência de um acordo imediato entre as partes aumenta o risco de prolongamento do conflito e de impactos mais amplos na economia global.
*com informações da Reuters
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